Do Analista-Caipira ao Caipira-Analista

Do Analista-Caipira ao Caipira-Analista

Photo copyright © Caipira Picando Fumo (1893) Almeida Júnior

Sou uma caipira, nascida nas terras que antes fizeram parte da fazenda São José do Buquira do escritor Monteiro Lobato, hoje denominada cidade de Monteiro Lobato, que fica na Serra da Mantiqueira, entre São José dos Campos e Campos do Jordão, vizinha ainda de São Francisco Xavier, e outros sítios rurais. Sou psicóloga e me tornei analista no campo da Psicologia Analítica, que privilegia um olhar para os símbolos da cultura, especialmente aqueles que dão significado para uma síntese entre o pessoal e o coletivo.

Ao pensar na analista e na caipira que vivem em mim, fui me dando conta que quanto “mais melhor” analista fui me tornando mais caipira eu fui ficando. Esta revelação da minha própria singularidade tem me feito usufruir de renovadas energias de trabalho e me despertado muitas reflexões a respeito.

Minhas conclusões atuais me dizem que todo analista tem de ser caipira. E não se trata só de uma restauração ou inflação da minha equação pessoal. Penso que todo analista, querendo ou não, precisa de uma parceria com o caipira para melhor executar seu trabalho de análise. São muitas as possibilidades criativas do encontro analista-caipira. Novos significados ganham forma quando tentamos compor umas “toadas” juntos, pois descobrimos que temos uns “causos” comuns.

[Apresentação feita no XIII Moitará – “República do Pica-Pau Amarelo: Arquétipos da Cultura Caipira” – SBPA – em Campos de Jordão, em novembro de 1999]

Do Analista-Caipira ao Caipira-Analista




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Analista junguiana em prática privada, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA) e da International Association for Analytical Psychology (IAAP). Professora e supervisora clínica do curso de treinamento de analistas da SBPA, coordena também grupos de estudos em sandplay e psicologia analítica.

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